sexta-feira, 25 de junho de 2010




Waterloo 2010

Finalmente, os Portugueses chegaram à batalha de Waterloo! Como todos sabem, no início da guerra da Sétima Coligação contra a França (também apelidada de Campanha dos Cem Dias), Wellington pediu ao Governo Português o envio de 30.000 soldados para auxiliar o exército Britânico nos combates que se avizinhavam, na sequência do regresso do Imperador Napoleão I da ilha de Elba, onde se encontrava exilado (chegado a Paris em 20 de Março de 1815). Porém, dilações de vária ordem obstaram à presença das nossas tropas nessa memorável batalha, ocorrida no dia 18 de Junho de 1815.
Todavia, essa falha foi finalmente colmatada este ano! Este ano 22 elementos do Grupo de Recriação Histórica do Munícipio de Almeida (GRHMA) e da Associação Napoleónica Portuguesa marcaram presença neste memorável evento, que contou com a presença de cerca de 3.000 recriadores de toda a Europa, com cerca de 250 cavaleiros e 50 peças de artilharia.


Como qualquer exército que se preza, levamos literalmente a casa às costas e ficamos (des)confortavelmente instalados em um dos três acampamentos históricos existentes no local. As nossas tendas ficaram montadas no acampamento do exército aliado, situado na Quinta de Hougoumont, em pleno campo de batalha original. Havia ainda o acampamento do exército imperial Francês e o acampamento da Guarda Imperial Francesa. Ou seja, havia literalmente milhares de homens e mulheres a viver um dia-a-dia em tudo idêntico ao de soldados do século XIX.


No nosso acampamento procuramos nunca lesar o rigor histórico.  Os utensílios de cozinha eram todos de época: pratos e copos em metal ou madeira; panelas de ferro e caldeiros em metal, para cozinhar.

Todas as nossas refeições quentes foram confeccionadas à fogueira e tudo correu surpreendentemente bem. As refeições foram confeccionadas a horas e sairam, além de abundantes, muitos saborosas.
O melhor da festa foi, sem dúvida, a camaradagem e o espírito de entreajuda criado entre todos os elementos do nosso grupo.

 

O pior da festa foi viver em tendas durante alguns dias, ao sabor do maravilhoso tempo existente na Bélgica. Frio e chuva q.b. foi o que tivemos TODOS os dias. A palha espalhada no "chão" das tendas ajudava a isolar um pouco o frio que "subia" da relva, mas pouco mais do que isso.
Anoitecia por volta das 22.30 horas e amanhecia por volta das 04.00 horas da manhã - foi o horário por que me regulei todos os dias lá passados.
Para ir às casas de banho (colectivas)  tinhamos de sair das tendas e andar cerca de 500 metros. Os duches também eram engraçados, porque inexistentes. O banho era tomado ou com toalhitos ou nos caldeiros de água - ao natural.

E, perguntam vocês espantados, porque raio foram estes tipos dispor-se a passar tais incómodos ?

Foi por causa disto, meus amigos!

 

Ou seja, foi para participarmos numa reconstituição de uma das maiores batalhas de todos os tempos, juntamente com milhares de homens e mulheres, onde deu para ficar com uma ideia muito aproximada da realidade histórica.
Para qualquer pessoa que tenha um mínimo de interesse pela reconstituição histórica do período napoleónico, este evento é de passagem obrigatória.
Eu pessoalmente já tinha estado num evento semelhante, em termos de magnitude - a reconstituição (Bicentenário) da batalha de Austerlitz, ocorrida em Dezembro de 2005, na República Checa.
Todavia, este evento foi sem dúvida melhor, não só porque o terreno não estava coberto de neve (como em Austerlitz), como também porque não havia nevoeiro impeditivo de visualizar toda a extensão do campo de batalha e a fantástica progessão e disparos das linhas de infantaria, de artilharia e  as cargas de cavalaria.

Foi a primeira vez que os organizadores Belgas tiveram um contigente Português a participar no evento e fiquei com a impressão que a nossa presença e participação foi apreciada.
Tivemos um precalço no que respeita à pólvora, pois utilizamos toda a que nos tinha sido distribuída para a batalha de Sábado e ficamos sem munições para a batalha principal, que iria ocorrer no Domingo de manhã, uma vez que não tinhamos percebido que não haveria segunda distribuição de pólvora para esse efeito. Pois bem, a organização compreendeu o facto e entregou-nos mais munições. Além disso, elementos de outros grupos de artilharia também nos cederam alguma pólvora e acabamos por ter munições mais do que suficientes para a segunda batalha!

Deixo-vos aqui vários links, onde podem visualizar imagens do evento.







PC