terça-feira, 12 de outubro de 2010

PEQUENOS GRANDES DIORAMAS-por Carlos Briz

Caros Tripeiros

A pancada dos comboios e do modelismo começaram em simultâneo, por influência de um muito jeitoso tio materno, teria eu uns dez anos. Aos doze, depois de concluir o então 2º ano do liceu pus as mãos numa colecção que ele deixou á minha avó com as instruções de mo entregar se cumprisse aquela tarefa liceal. O comboio em questão era em escala HO (1/87) e como podem calcular, para um miúdo de 12 anos sem dinheiro, tinha muito tempo para sonhar, pelo que foram germinando as sementes para o viria a ser o futuro. Igualmente comecei a construir uns aviões da Airfix em escala 1/72, pintados com guache, era o que tinha disponível.

Depois de muitos sonhos e de alguns presentes de comboios e kits que fui construindo até aos 18 anos, melhorando a técnica e usando já tintas Humbrol e Revell, fui-me deparando com um problema sério, a falta de espaço, assim, numa ida ao Carossel ( hoje Quitécnica ) conheci o Toni, e com ele descobri a escala N (1/160), a forma de me ver livre da escala HO e arrancar com a escala mais pequena.

Fui então coleccionando vagões (as locomotivas eram muito caras para mim) e juntei ao longo de 25 anos cerca de 1300.
Quando finalmente passei a ter algum dinheiro disponível, depois de constituir família, construi, ao longo de sete anos (acabei em 2000), um layout para poder por a circular a tralha que tinha e foi, a partir de aí, depois de me cansar a limpar as vias para que tudo funcionasse, que descobri o que realmente gostava de fazer : o modelismo.

Com o layout concluído (hoje um enorme diorama pois grande parte das coisas não funciona) deparei-me com um problema, o que fazer agora?
Então, depois de algumas semanas de “depressão” percebi finalmente o que queria fazer: os dioramas estáticos, com peças soltas da colecção e montes de spare-parts de casa, figuras e veiculos.
Comecei pelos civis europeus, passei ao civis americanos e num click mental porque não alguns militares?
Entrei num frenesim á procura de fotos que pudessem servir de inspiração e fabricantes de material compatíveis com a escala N e assim descobri um mundo do qual ainda não saí e não espero sair nos próximos anos.
Construi então dioramas retratando o mais possível, com alguma dose de fantasia á mistura pois fotos de comboios militares são raras e classificadas como Top-secret, as cenas de conflitos onde os comboios tiveram importância militar, como a Guerra da Crimeia (1º conflito com uso de comboios), Guerra Civil Americana, Guerra Franco-Prussiana, Crise do Sudão, Guerra dos Boers, Grande Guerra, Guerra Civil Russa, Guerra Civil de Espanha, 2º Guerra Mundial e alguns dos conflitos do pós-guerra.

Para concluir, recordando uma conversa com um respeitoso modelista de setenta e picos anos, me disse que, em novo, tinha tempo e não tinha dinheiro para alimentar o vicio, depois em adulto passou a ter dinheiro mas não tinha tempo para o mesmo e finalmente depois de reformado, passou a ter tempo e dinheiro mas não lhe ……… apetecia fazer nada, o que caros amigos é um verdadeiro problema, pelo que todo o tempo que tenho disponível é aproveitado ao máximo pois, aos 53 anos, não sei quando vai deixar de me ……. apetecer.

Um grande abraço a todos desde Lisboa
Carlos Briz