sexta-feira, 5 de março de 2010


Os Tótós do Kung-Fu!



Há uns dias atrás apareceram na Academia de Kung-Fu dois candidatos para "experimentar" uma aula, com vista a poderem decidir se se iriam ou não inscrever como alunos.
Como é habitual, no inicio de cada aula temos um período de aquecimento, sem o qual qualquer exercício físico converte-se num risco para a saúde.
Passados cerca de 10 minutos de exercícios (de aquecimento) os dois pobres infelizes começaram a mudar de cor (passaram de brancos a pálidos) e não conseguiam segurar-se em pé. Depois disso, pediram autorização para ir à casa de banho.
E nunca mais voltaram...
Antes destes, apareceu por lá um outro individuo que também queria experimentar as aulas da Academia e que até chegou a frequentar 3 ou 4 aulas, pois pelos vistos já tinha alguma preparação física.
Todavia, estava sempre a perguntar: "quando é que começo a aprender a fazer rotativos ?" e "quando é que começo a aprender a dar saltos ?".
Escusado será dizer que, à semelhança dos primeiros, mas por outras razões, nunca mais lá voltou a pôr os pés.
Na minha modesta opinião, as artes marciais são o desporto, além de milenar, mais completo que existe e existem tantas variantes e alternativas que se podem adequar a quase todos os temperamentos.
O Kung-Fu (ou Wushu), mesmo para quem o pratica em termos mais ou menos aligeirados, pode servir como exercício mental, físico e filosófico. Permite desenvolver uma força mental positiva e exige paciência e trabalho, algumas vezes duro.
E da respectiva prática é quase sempre possível extrair benefícios e aplicações para as mais variadas situações a nível pessoal e profissional, designadamente na vertente da gestão de agitações, exigências e pressões.
Além disso e porventura mais importante, deste desporto resultam beneficios excelentes para a saúde, ao nível do aparelho respiratório e circulatório, do desenvolvimento da resistência e da massa muscular, da flexibilidade, etc.
Equivoca-se seriamente quem procura nas artes marciais (pelo menos naquelas que são praticadas com seriedade e consciência) um meio para exibição de violência ou de aquisição de conhecimentos para exercícios violentos.
Não têm nada a ver com isso.
De igual modo, quem é avesso ao exercício da paciência, empenho e esforço não se vai dar bem com este desporto, pois nunca vai conseguir, por exemplo, controlar o medo ou a dor.
Dito isto, penso que já se conseguem imaginar as razões pelas quais nos dois casos acima descritos os respectivos candidatos acabaram por mudar de ideias em relação à opção de praticarem Kung-Fu...
PC